São histórias individuais que vêm à praça pública. Podiam-se chamar Manel, Daniel, Maria ou não se lembrarem do nome... sempre significativas e não apenas números porque a verdadeira política de inclusão se centra na pessoa utente, no indivíduo. Mostram mais uma vez a incompetência e negligência técnica da nossa autarquia – os excluídos pobres não se tratam como “animais domésticos abandonados”, merecedores ou não de apoios, sem vontade ou sem protagonismo de destino; os excluídos pobres não se condenam duplamente à exclusão, não devem ser aconselhados a sair do meio onde já conseguiram alicerçar algumas redes de sociabilidade porque daqui não são naturais ou porque daqui não conseguem apoios. È ofensivo o preconceito moral da nossa autarquia. Qualquer instituição, tanto mais exercendo funções públicas, estatais, colectivas, tem o dever de defender e promover o interesse comunitário e a cidadania; a estigmatização e discriminação de cidadãos, afastando e afundando as suas existências, é completamente aberrante, como se até a condição de migrante ou de nómada não fosse também uma das características da exclusão.