Dizem-nos que tem de ser assim. Que sempre foi assim – “eles” é que mandam...
No tempo do fascismo “eles” era o ditador Salazar. Com o povo todo na rua durante o ano e meio que seguiu ao 25 de Abril de 74, “eles” foram muitos “nós” e os outros “eles” de antes andaram às aranhas.
Depois, “eles”, a pouco e pouco, retomaram as rédeas outra vez. Agora, os “eles” cá de dentro, para não deixarem de ser “eles”, passaram o mando aos “eles” lá de fora.
No próximo dia 25 de Maio, mais uma vez, vai-se a votos para o Parlamento Europeu. Num faz de conta de que os “eles” cá de dentro também mandam qualquer coisinha. E mandam, apenas cá dentro, mandam em todos nós – cá dentro são os capatazes dos “eles” lá de fora.
Por isso, o voto nesse dia só servirá para alguma coisa se puser em dúvida o “tem de ser assim” dos “eles” de sempre, os de dentro e os de fora cá dentro, que só mesmo naquele ano e meio do 25 de Abril andaram às aranhas.
Valerá a pena, o próximo 25, se trouxer aos nossos capatazes, sejam eles os do chicote ou os da cenoura, um resultado diferente que comece a responder NÃO à velha certeza de que “sempre assim será”.