Na Ucrânia, 20 000 manifestantes, durante um mês na praça central de Kiev, viraram de pantanas o poder mafioso que governava o país e fizeram fugir o presidente democraticamente eleito há menos de três anos. Fintando a revolta popular, entregam o poder a outro grupo de mafiosos, mas não faz mal pois estes são ao gosto dos donos do mundo.
No Egipto, o exército todo-poderoso antes do derrube de Mubarak, responsável então por milhares de mortos, voltou, no ano passado, a assassinar outros milhares, com o golpe de estado que derrubou o presidente democraticamente eleito havia meses. Coisa de pouca monta para a propaganda dos donos do mundo.
Na Venezuela, o governo chavista vencedor democrático de 11 eleições nos últimos 14 anos, enfrenta de novo a violência fomentada pela oposição que se fartou de estar sempre a perder e de nem com golpes de estado conseguir ganhar. Borrifando-se para a democracia, os donos do mundo clamam que é uma violência legítima e que o governo é que é mau.
Em Portugal, onde o governo é verdadeiramente mau, os seus dois partidos acabaram de prometer em Congresso que assim vão ter que continuar. Os donos do país, da Europa e do Mundo, enternecidos, dão-lhes a bênção, porque os cofres continuam a encher e está tudo sob controlo.
Só no concelho de Faro, em gente capaz de ter cabeça para pensar, somos mais do dobro de 20 000.