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"Temos levado a voz do povo"

(intervenção realizada na sessão pública do Bloco, em Tavira, a 17 de agosto de 2015).

Ao estarem aqui presentes neste anfiteatro connosco neste Comício de Verão do Bloco vocês mostram a vossa preocupação e anseios de que as nossas vidas estão a passar. Porque vemos uma Democracia a ser posta em causa e que tantos anos levou a implementar, os nossos direitos ao trabalho e a sua legislação a ser posta em causa, porque vemos um SNS (serviço nacional de saúde) a ser destruído onde faltam os meios, do trabalho precário dos enfermeiros a saída de médicos do público para o privado e a saída dos nossos jovens para outros países à procura de uma estabilidade que aqui não encontram e como se isso não bastasse e devido à carência de meios ver técnicos de saúde a contraírem doenças como a tuberculose como se tem verificado nesta região do Algarve. Mas como o governo apregoa assim como as forças de direita que compõem a coligação tudo está melhor e o pior já passou não devem viver neste país ou então têm interesses em afirmarem para que mais uns amigos enriqueçam ou vender o património deste País daquele que ainda resta para serem classificados de bons alunos da politica Liberal desta Europa que com a austeridade e os interesses do grande mundo financeiro a situação que chegamos. As dividas soberanas não são pagáveis só uma restruturação da divida será possível libertar o sufoco com que as pessoas vivem.

Também vemos a escola pública a ser posta em causa, onde vemos jovens a abandonar o ensino porque os seus pais não suportam os custos ou têm que os ajudar, que o insucesso escolar tem vindo a aumentar, que os docentes vivem uma instabilidade constante, que além da preparação das suas aulas, do acompanhamento dos seus alunos são confrontados com um conjunto de burocracia como estatísticas, como inquéritos e outras burocracias que levam o docente a uma sobrecarga de trabalho que prejudica o seu trabalho normal com os seus alunos. E agora tenta-se municipalizar o ensino com a asfixia que os Municípios vivem e os problemas que iriam trazer a transferência destas responsabilidades. Mas para este governo e coligação tudo está melhor para o povo português pois temos os cofres cheios e os bolsos dos cidadãos vazios.

Portugal está melhor e aconselha-se mas a pobreza aumenta e existe uma pobreza envergonhada que se combate com a caridadezinha. Portugal está a saldo, as diferenças sociais são evidentes os ricos aumentam as suas fortunas e a classe média desapareceu. Vemos nas ruas das grandes cidades pessoas a dormirem na rua, mas Portugal está melhor. Os idosos têm que fazer opções ou compram os seus medicamentos quando podem e deixam de comer, ou procuram comer algo decente e não têm dinheiro para os medicamentos. Mas Portugal está melhor e nós somos um bom aluno para que a Alemanha, Comissão Europeia, FMI tenham os seus ganhos à custa da pobreza dos povos.

Mas para não me alongar pois são temas que os camaradas irão com certeza falar e o vosso interesse é ouvi-los irei acabar a minha intervenção resumindo o que tem sido o papel do Bloco na Assembleia Municipal de Tavira.

Temos levado a voz do povo, das Associações com foi o caso dos Pescadores, dos comerciantes, das questões de ordenamento do concelho, dos apoios sociais, do ambiente e muitas das nossas preocupações foram ouvidas.

Alguns exemplos:

- Levamos a preocupação dos pescadores em querem retirar o salva vidas de Tavira para Vila Real Sto António para redução de custos quando é a vida dos pescadores que está em risco.

- Trouxemos a preocupação dos canais de Cabanas Santa Luzia e de Tavira que se encontram a assoreados pondo em causa a segurança e o sustento de famílias.

- Nas Cabanas de Tavira levantamos questões ambientais como a colocação de lamas em céu aberto.

- Questionamos tanto a nível local como na Assembleia da Republica de um velho sonho de Tavira e dos seus pescadores para quando o Porto de Pescas de Tavira que está numa gaveta de um secretário de estado à cinco anos.

- Questionamos o critério dos cortes dos apoios sociais nos orçamentos municipais quando existe uma pobreza envergonhada em Tavira com 106 famílias nos bairros sociais com rendas em atraso e da austeridade que este país vive, pobreza combatida muitas vezes com a caridadezinha, do isolamento em que as populações vivem na serra alarvia e dos acessos dos mesmos.

- Lutamos para que a penalização que as pessoas eram sujeitas ao falharem o pagamento da sua renda social que era de um agravamento de 50% fosse retirada o que se veio a verificar.

- Questionamos a indisciplina que se vive nas ruas de Tavira assim como das requalificações de algumas artérias que se têm verificado de modo a devolver aos habitantes e pessoas que nos visitam esses espaços e que sirvam de convívio, de diálogo onde as famílias possam desfrutar dos seus tempos de lazer e que não sejam para serem ocupados com expositores, esplanadas e barraquinhas de interesse comercial.

- Questionamos o executivo municipal de Tavira ser das poucas cidades que não tem uma casa de cultura, oficinas polivalentes, um teatro municipal e iremos lutar para que seja uma realidade, pois Tavira merece e mostramos que em pleno Fevereiro a sala do cinema existente com 460 lugares esgotou mas que precisa urgentemente de obras.

- Também questionamos o Município sobre a sua política de Juventude, questões que também têm sido levantadas na Comissão Municipal da Juventude onde pertencemos, nos apoios aos jovens e da fixação destes na cidade constatando que não existe nenhuma política de juventude para Tavira.

- Temos levantado questões aos preços praticados pela Tavira Verde a nível de penalizações e taxas aplicadas que contribuem para o não estabelecimento de pessoas e agrava a situação das famílias.

- Iremos lançar um inquérito junto da população de modo a ouvirmos os anseios e as preocupações de modo a levar essas mesmas ideias aos órgãos competentes.

- Por ultimo dizer que os representantes do Bloco seja a nível Nacional e local estarão sempre abertos às preocupações das pessoas e iremos lutar e ajudar nas mesmas pois promessas não fazemos e nem pactuamos com interesses particulares que não defendam os interesses colectivos e das pessoas. Não queremos ouvir mais que vocês políticos só conhecem a gente de quatro em quatro anos quando precisam de nós para o voto, pois queremos um contacto constante com a população, com ela conviver, com ela ouvir os seus anseios e preocupações e não fazer aquele papel de aparecer quando à festas, à mercados, para dizerem que aparecem e que estão ao lado do povo. Essa politica não queremos mas sim sermos mais uma voz de uma comunidade de um país que quer dignidade, saúde, pão, educação e cultura.

Viva o Bloco Esquerda,

Viva o povo sacrificado de Portugal e dos povos do sul da Europa e de África.