Intervenção de João Vasconcelos , deputado do Bloco, no comício do PODEMOS realizado em Badajoz no passado sábado no âmbito da campanha eleitoral para as gerais espanholas.
Povo da Estremadura, povo de Espanha, povo de Badajoz!
Um abraço fraterno a todas e a todos da parte do Bloco de Esquerda de Portugal.
É com grande prazer e muita alegria encontrar-me aqui convosco, nesta grande jornada de luta que, à semelhança do que acontece em muitas vilas e cidades de Espanha, pretende colocar um ponto final às políticas de austeridade do governo de Rajoy. E o grande arauto dessa mudança, em prol de uma vida mais digna, justa e solidária para todos os povos de Espanha é sem dúvida o PODEMOS.
Esta nova força política, que brotou das lutas populares contra a direita conservadora, neoliberal e austeritária, merece o pleno reconhecimento, em particular de todas as forças e dos povos da Europa que combatem a austeridade, incluindo Portugal. As vossas lutas são as nossas lutas, as vossas vitórias são também as nossas vitórias, muito necessárias e urgentes para ajudar a construir uma nova Europa, uma Europa Democrática e Social dos Povos, que ponha fim à corrupção, à ditadura do capital financeiro e às políticas criminosas da austeridade. Uma nova Europa dos Povos terá assim capacidade também para erradicar a xenofobia, o racismo, as políticas de discriminação e todos os fenómenos de terrorismo.
Como referiu o compositor e político grego Mikis Teodorakis – “ou os povos se levantam, ou os bancos irão trazer de novo o fascismo”. E a vossa força política, o PODEMOS, tem tido uma grande coragem, determinação e força para dinamizar e protagonizar todas as lutas populares que têm ocorrido nas praças e ruas de Espanha - e assim continuará, hoje, amanhã e depois de amanhã. Por um novo governo popular, que quebre as políticas anti-populares de Merkel, de Rajoy, do Banco Central Europeu, da União Europeia e da ditadura de todas as troikas. Sopram ventos de mudança no horizonte e a Espanha também vai mudar nas próximas eleições legislativas. Rajoy vai ser derrotado! Tal como foi derrotado o liberal conservador Passos Coelho, em Portugal.
É necessário que os povos de Espanha conquistem uma alternativa de poder e de governo nas próximas eleições legislativas. E a alternativa não será certamente um governo do Partido Socialista Operário Espanhol, ou um governo do Ciudadanos em aliança com o Partido Popular. Uma verdadeira alternativa de governo terá de assentar, sem dúvida, nesta nova força política que é o PODEMOS. Todavia, o Bloco de Esquerda saúda todas as forças políticas democráticas que tenham como objetivo combater as políticas de austeridade e defender as conquistas sociais.
Em Portugal foram dados passos muito significativos a partir das últimas eleições legislativas do mês de outubro passado e que permitiram derrotar o governo conservador dos partidos PSD e CDS/PP. E foi aberto um novo ciclo de esperança, cujo objetivo é acabar com as políticas de empobrecimento do meu país. O governo de direita de Passos Coelho perdeu a maioria e quase um milhão de votos, o que permitiu a constituição de um novo governo contra a austeridade, apoiado pelo Bloco de Esquerda.
O Bloco de Esquerda foi a grande novidade das últimas eleições em Portugal. Com 4% em muitas sondagens, ultrapassou a barreira dos 10%, passou de 8 para 19 deputados e afirmou-se com a terceira força política no meu país. E o novo governo que se formou contra a austeridade, só foi possível face à força e aos desafios do Bloco de Esquerda.
O governo de Passos Coelho destruiu e degradou muitas conquistas sociais, aumentou o desemprego para mais de um milhão de pessoas, a precariedade também ultrapassa mais de um milhão, nos últimos 4 anos emigraram cerca de 500 mil pessoas, muitas delas jovens, rumo a outros países, a pobreza atinge mais de 3 milhões de portugueses e foram parar às empresas privadas quase todos os setores económicos estratégicos e rentáveis. Chegou a altura de parar com a destruição do país.
Tendo em conta as profundas dificuldades que Portugal atravessa, fruto de uma longa crise económica e social, agravada pela coligação de direita PSD/CDS e pelas políticas da troika estrangeira durante 3 longos anos, e face ao novo quadro parlamentar que surgiu com os resultados eleitorais, o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista, o Partido Ecologista Os Verdes e o Partido Socialista entenderam-se num processo de convergência fundado na necessidade patriótica de conferir tradução política à vontade de mudança expressa pela maioria dos eleitores.
Neste sentido, firmaram um acordo tendo por base a maioria de deputados do Parlamento nacional e que sustentasse um novo governo contra a austeridade e comprometido com a mudança reclamada nas urnas. Convém sublinhar que o Bloco de Esquerda apoia mas não faz parte desse governo. O Bloco pretende afirmar-se na luta, dinamizando e participando nos movimentos sociais para, um dia mais tarde, ter a força e poder conquistar um novo governo, de maioria bloquista e verdadeiramente popular e socialista.
Mas este governo que foi formado em Portugal, com o apoio do Bloco de Esquerda compromete-se a dar um combate decidido ao desemprego e à precariedade, apoiar as pensões e o emprego, acabar com as privatizações, a redução para 13% do IVA da restauração, o apoio aos mais pobres e terminar com os ataques às classes médias, a defesa do estado social, como a Escola Pública, o Serviço Nacional de Saúde e a Segurança Social Pública, acabar com as penhoras e execuções fiscais de habitações, impedir o encerramento de serviços públicos, a luta contra a corrupção, aumentar o salário mínimo.
Mas o Bloco de Esquerda continuará na luta pela reestruturação da dívida pública que vai em mais de 130% do Produto Interno Bruto, continuará a lutar contra o Tratado Orçamental e o Tratado Transatlântico de Comércio, continuará a luta para a saída de Portugal da NATO e a dissolução deste bloco militar agressivo, que mais não é do que a mão armada da globalização imperialista. Mas para isso o Bloco de Esquerda precisa de ter mais força e isso só se consegue trabalhando e estando ao lado do povo, dos trabalhadores, dos cidadãos.
A Espanha também precisa de ter um PODEMOS muito forte, tal como toda a Europa precisa de ter forças anti-austeritárias e populares muito fortes, condição indispensável para derrotar a austeridade, o populismo, o racismo, a ditadura dos bancos e do capital financeiro.
Por uma nova Europa, uma Europa dos Povos! E os Povos de Espanha são indispensáveis para a construção desta nova Europa, de paz, de justiça, de democracia, de solidariedade, de fraternidade.
Vivam os Povos de toda a Espanha e de toda a Península Ibérica!
Vivam os Povos de toda a Europa e de todo o mundo!
Viva o PODEMOS e a unidade de todas as forças que lutam contra a austeridade!