O fenómeno do turismo constitui uma aposta especializada e estruturante da economia regional, reunindo o Algarve condições de destino privilegiado. Seria portanto atractivo “aceitar” que tamanha “galinha dos ovos d’ouro” fosse solução quase imediata e fácil para a resolução de problemas estruturais que vêm deprimindo o nosso concelho... é o que se parece adivinhar na maior parte das propostas das candidaturas à gestão do futuro da autarquia – apregoa-se incansavelmente o fomento do turismo como estratégia principal, propondo-se até uma aposta na massificação da oferta em turismo balnear e de recreio/náutico com exploração intensiva da ria e das ilhas.
Faz-me lembrar a cegueira dos exploradores de ouro...
O desenvolvimento de Olhão não se faz na realidade esquecendo o turismo. Mas tal não significa nem pode significar que se opte por colocá-lo no centro como “eucaliptal de mercado”. Primeiro estão as pessoas e os recursos do meio que devem alicerçar as economias locais e as identidades. Trata-se de trabalhar toda uma “oferta sustentada e equilibrada” em termos de polarização de marca distintiva (para seguir o léxico habitual) fundada na especificidade, na proximidade e na qualidade. Simultaneamente trata-se de enquadrar neste propósito todo o investimento na área e conceber as receitas como acréscimos de dinamização económica (emprego; iniciativas empresariais qualificadas) e de captação de poupanças para o investimento privado e público e para a revitalização do consumo local.