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Hipocrisia de Abril

Na canção do Zeca os vampiros entravam com “pés de veludo” para comer tudo. Hoje, pelas mãos do Governo e do Presidente, entram com pés de chumbo e tudo destroem ou abocanham, deixando o país sem futuro para o povo. 

Um mês antes das eleições europeias comemoram-se os 40 anos do 25 de Abril. Tempo incómodo para quem renega a Constituição, repõe a caridade como o lema da assistência aos pobrezinhos e venera no altar dos mercados as 10 famílias que Salazar tornou donos de Portugal.

Tempo incómodo para quem diz ámen aos cortes de verbas e de funcionários que levam o Arquivo Distrital a uma degradação escandalosa; para quem considera intocáveis os privilégios dos fundos imobiliários ou da especulação que mantêm fechados milhares de fogos quando mais de 500 famílias, entre elas as 60 da Horta da Areia, anseiam há dezenas de anos por uma habitação com um mínimo de dignidade; para quem considera intocáveis os “direitos adquiridos” dos lucros privados na FAGAR, o buraco sem fundo do Estádio do Algarve, os juros sacrossantos dos empréstimos da Banca ou as imposições do PAEL à autarquia, que, todos juntos, empobrecem e enviam para a exclusão social, sem dó nem piedade, um número crescente de famílias farenses.

Tempo incómodo sim, mas que pouco lhes pesa na consciência, porque agora é também o tempo em que quanto maior o crime mais ele compensa. 

40 anos depois, os poderes dominantes comemoram Abril para melhor o matarem.