A introdução de portagens na Via do Infante veio aprofundar a crise na região do Algarve num contexto em que a alternativa, a estrada nacional n.º 125, não o é, pois a prometida e urgente requalificação pouco mais é que o conjunto de propostas preparadas para as itinerantes apresentações públicas que preenchem as telas dos auditórios por onde o governo e partidos de apoio vão passando.
Miséria no Algarve pontuada por coloridas ilhas, mais ou menos compostas e recheadas da ilusão dos powerpoints que desenham uma realidade virtual. É este o cenário que a maioria dos Algarvios vê, dia após dia, sem aquela ilusão bidimensional das telas, esperando uma concretização (por magia, quem sabe?!) no quotidiano, tridimensionalidade, real e palpável . Com este cenário, qual a resposta da maioria parlamentar, apoiante do governo, para eliminar o alerta do desastre social e económico na região? Nenhuma! Ou antes, mantenha-se as portagens com os algarvios e visitantes a desesperar na EN 125, dizem-nos. Mantenha-se o encerramento diário de dezenas de pequenas e médias empresas, cujas tesouraria não aguenta mais o fardo das portagens. Mantenha-se, também, o afastamento do povo espanhol que muito animou a economia algarvia, refém da sazonalidade do sol e das praias, durante os períodos baixos e médios.
Com uma maioria e um governo a recusar assumir o erro e voltar atrás, o que faz o PS? "Ziguezagueia" por entre o não às portagens e o não a todas as iniciativas parlamentares que promovam a sua anulação. Um não-não que não ecoa com a posição da maioria dos autarcas do PS que votam favoravelmente iniciativas várias, em executivos camarários e assembleia municipais, mas todas pelo desenvolvimento do Algarve e necessariamente, casual e manifestamente, contra as portagens na Via do Infante, afirmando a sua suspensão imediata.
Ziguezagueando pelo não-não do PS às portagens na Via do Infante, encontramos o ziguezague do sim-sim dos deputados do PSD e do CDS quando defendem a regime de utilizador-pagador e quando afirmam, junto do povo algarvio, a vontade de acabar com as portagens.
Este sim-sim; não-não; sim-não; não-sim, sempre submisso à cor partidária e longe de enfrentar os anseios das populações, mais que a indignação, desenvolve um sentimento de revolta que leva à imperativa obrigação de confrontar, sem hesitação, com a clara e determinada assunção daquilo que verdadeiramente deve ser defendido. Sejamos claros, a vida dos algarvios não pode estar sujeita ao divagar das adversidades eleitorais.